Everton Felipe deve responder pelo crime de homicídio qualificado, que tem uma pena de 12 a 30 anos de reclusão. Após escutar o depoimento que durou cerca de três horas, a delegada responsável pelo caso, Gleide Ângelo, apareceu rapidamente no local onde a imprensa esperava por informações e fez apenas um rápido pronunciamento.
- Estou aqui por respeito à imprensa. Acabou o depoimento e ele ficará preso. A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco se pronunciará sobre o caso.
De acordo com informações de bastidores, o suspeito foi preso em uma escola no bairro de Ouro Preto, em Olinda, e não reagiu à prisão.
Os policiais que participaram da prisão disseram que num primeiro momento ele tentou negar, mas assim que os agentes pegaram o seu celular, viram mensagens falando sobre o caso enviadas afirmando que não queria ir para o "inferno", se referindo a cadeia.
Contratado pela família de Everton Felipe, o advogado Adelson José da Silva, chegou ao DHPP durante o depoimento do suspeito e falou um pouco sobre o crime cometido.
- Ele confessou. Quando eu cheguei já estava no meio. Ele não sabe explicar o motivo. Disse que foi algo espontâneo e que foi para o estádio apenas com a intenção de assistir o jogo, mas de repente sentiu algo estranho que não sabe explicar.
Ainda de acordo com o advogado do rapaz, Everton confirmou de fato que teria agido com outras duas pessoas. Um deles é um amigo, mas o outro é uma pessoa que ele conheceu na hora, mas os três fazem parte de uma das torcidas organizadas do Santa Cruz.
- Ele participou com outros dois, mas só conhece um deles. O outro ele conheceu lá no momento. Eles fazem parte da torcida organizada do clube. Acho que é a Inferno Coral.
Medo do futuro
Everton Felipe passará a noite desta segunda-feira preso na própria sede do DHPP, mas a tendência é que seja transferido para o Cotel na manhã desta terça-feira. E é justamente este momento que enche o advogado e o próprio Everton de medo.
- Sempre há o medo de retaliação e por isso já vamos pedir uma segurança para ele. Além disso, vamos tentar a liberdade provisória e acreditamos que tem chance, pois ele tem residência fixa e trabalha.
Entenda o caso
Paulo Ricardo Gomes faleceu na última sexta-feira depois da partida entre Santa Cruz e Paraná, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Quando passava próximo ao portão seis do Arruda, destinado à torcida visitante, foi atingido por um vaso sanitário arremessado da parte superior da arquibancada. Além da vítima fatal, outras três ficaram feridas, mas estão fora de perigo.
Torcedor do Sport e morador do bairro do Pina, zona sul do Recife, Paulo Ricardo, 26 anos, trabalhava como soldador na indústria naval do Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife. Integrante de uma torcida uniformizada do Sport, saiu de casa com uma missão: tirar fotos da uniformizada do Paraná - uma prática comum entre torcidas aliadas em diferentes estados. Na câmera encontrada pelos bombeiros dentro da bolsa da vítima, havia vários registros do jogoFonte:G1 Pernambuco

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